terça-feira, 31 de agosto de 2010
JÁ ESTAVA TUDO ARMADO
Isso é política! Há alguns meses conversava com meu amigo Adu Verbis sobre esse assunto e concordávamos que o estádio escolhido para a próxima copa do Mundo seria o vindouro do Corinthians. A decisão de excluir o estádio do Morumbi da copa do mundo de 2014 já estava proclamada há muito tempo. Não foi à toa que Andrés Sanches, presidente do Corinthians, foi escolhido pra ser chefe da delegação da seleção brasileira na copa da África do sul, realizada este ano. O plano de construir o novo estádio do Corinthians já estava tramado há muito tempo. Com a presença de Ronaldo, ex-atacante da seleção brasileira, no Corinthians, a viabilização financeira do projeto ficou bem mais fácil, sem dúvida, mas não podemos, conhecendo Ricardo Teixeira e Andrés Sanches, excluir a possibilidade da utilização de recursos públicos na obra do novo estádio do Timão. Ricardo Teixeira, um dos homens mais poderosos do país, não avalisou( ao lado de seu aliado Joseph Blatter, presidente da FIFA ) o projeto do Morumbi, que era muito mais barato e viável. Porém, como o senhor Ricardo Teixeira não simpatiza com os dirigentes do São Paulo e tem interesses excusos em comum com Andrés Sanches, o pau da barraca vai ser armado. Ricardão comanda a CBF há mais de 20 anos, fazendo conchavos e comprando votos dos presidentes das federações estaduais para se perpetuar no poder. Só nos resta dizer, como Juca Kfouri diz em seu programa CBN Esporte Clube, da Rádio CBN: “VAMOS TOMAR CHÁ DE CADEIRA ESPERANDO PELA QUEDA DO RICARDO TEIXEIRA!”
domingo, 29 de agosto de 2010
DISCUSSÃO SOBRE AS "PANELINHAS", OU "PEIXADA", COM JORGE LOBO E ADU VERBIS
Jorge Lobo: Qual a sua opinião?Elas existem? Estou falando de “panela” no sentido de projetos inscritos em concursos de roteiros. Sendo ou não concurso de roteiros especificamente( como o concurso de desenvolvimento de roteiros, do MINC ), o fato é que o roteiro sempre é ou deveria ser a mola-mestra de avaliação por parte das comissões de seleção, mesmo nos editais de produção. No estado atual das coisas, chegou-se ao cúmulo de criar um concurso de desenvolvimento de roteiros( por parte do MINC ) em que o currículo é pedido!É fato que favorecimentos ilícitos não são feitos por todos os integrantes de uma comissão, mas pra mim parece evidente que uma parte dos membros das comissões preferem premiar o currículo ou seus amigos em detrimento da avaliação da qualidade do roteiro. Fui testemunha, há algum tempo atrás, de um caso de favorecimento ilícito: um professor da escola de cinema em que eu estudava foi chamado para uma comissão de um concurso de roteiro do governo e premiou uma aluna de lá. A aluna revelou a mim que fez o roteiro às pressas, mesmo assim ela foi premiada. É ou não um caso irrefutável de favorecimento ilícito?Na minha opinião, o professor queria ficar bem com a diretoria da escola, talvez recebendo até uma quantia em dinheiro pelo seu ato.É preciso escrever sobre isso, já que quase ninguém escreve, por isso estou escrevendo. Eu acho que as “panelas” são comparáveis ao jogo Argentina X Peru, da copa de 1978, onde se armou um esquema em que apenas alguns dos jogadores do Peru participaram, não todos. É evidente que existem pessoas íntegras nas comissões mas é evidente também que a “panela” existe, uma panela informal, onde alguns membros adeptos dessa “panela” se deixam levar pelos afetos( premiando amigos ou não premiando pessoas por quem eles tem uma antipatia pessoal ) deixando em segundo plano a avaliação objetiva de um roteiro, isto é, as qualidades criativas do roteiro. Como o afeto rege uma boa parte das escolhas, muita gente opta por sempre procurar estar de bem com todo mundo, evitando assim maiores complicações.
Corrigindo uma passagem: um concurso de desnvolvimento de roteiros( por parte do MINC ), com uso de pseudônimos, em que o currículo é pedido!
RESPOSTA DE ADU VERBIS: nenhum profissional de cinema no Brasil faria uma avaliação de um roteiro isento da concepção do favoritismo que reina nos concursos e editais para roteiro, e outras tantas licitações feita de forma escusas nesse país. E porquê nenhum profissional de cinema não faria uma avaliação de um roteiro sem favorecer beltrano e sicrano, simples, porque quem faz a avaliação dos roteiros nos editais e concursos, também faz cinema, e sabe que se não favorecer tal diretor, tal produtora, pode ficar de fora dos poucos recursos que há pra se fazer um filme no Brasil. A tese de que há sempre uma conspiração contra ou a favor, não é coisa de paranóico, de fato existe uma conspiração.
O fato de alguns editais solicitar o currículo dos concorrentes é uma suspeita. Naturalmente que toda comissão tem seus argumentos de defesa, e todo edital está assegurado pelos termos da lei. A intenção de favorecer fulano que tem um currículo assado em detrimento de sicrano com um currículo de pouca expressão é notória. O concorrente manda seu roteiro com um pseudônimo, mas no seu currículo consta o seu nome e seus trabalhos realizados. Através de um currículo fico sabendo quem está ou não em um edital. Não vou deixar de votar num roteiro que é do meu amigo, ou de quem posso obter favores para votar num roteiro de Jorge Lobo que não o conheço, e tenho a certeza que não vou ganhar nada votando no roteiro de Jorge Lobo; quem faz uma avaliação de um roteiro cinematográfico não pensa no cinema em si, mas em si mesmo.
Se houvesse uma cultura cinematográfica que valorizasse o roteiro ao invés da conceituada panelinha, talvez o roteiro com uma qualidade técnica e temática, seria escolhido. Se não houver editais não haverá liberação de verbas; mas Infelizmente esses editais é só uma forma de mascarar o obvio. Desta forma ninguém tem como reclamar que o roteiro de fulano foi escolhido porque é fulano; por trás dos editais se esconde à cultura do favorecimento, e ao mesmo tempo o favoritismo está protegido por lei.
O cinema é uma arte de muitos cifrões feita por uma classe que mendiga de porta em porta. A classe de roteiristas, diretores e produtores e os mendigos que habitam as ruas no Brasil, têm o mesmo principio ético: só bebe da cachaça quem fortaleceu, quem é parceiro. Eu não vou fechar com quem não é da minha panela, se não corro o risco de ficar sem a minha cachaça e feijoada. Já disseram que o Brasil não é pra amador, e é pura verdade. Tudo isso dito pela retórica vazia, sonolenta e corporativista de Arnaldo Jabor, teria um valor de verdade, mas como é dito por uma roteirista frustrado e invejoso, que reclama porque não fora escolhido num concurso para roteiro, não tem a menor graça.
JL: sua resposta foi bastante esclarecedora. Acrescentaria que ninguém que faz a política da "panela" vai declarar que a faz, confessar que favoreceu beltrano ou sicrano, nem mesmo para os seus colegas de comissão, é um acordo tácito e o discurso será: "quem ganhou foram os melhores!Quem diz que existe panela é porque está frustrado porque perdeu!"
O acordo tácito passa também pela persuasão( sem citar que fulano tal é apadrinhado ), pela argumentação de que tal projeto merece ser escolhido, convencendo os outros membros da comissão de que o projeto apadrinhado merece uma chance. Ou será que estou enganado e a sujeira é feita às claras?Só participando de uma comissão pra saber, só que infelizmente ou felizmente eu provavelmente nunca terei essa chance, mas se tivesse votaria nos roteiros que eu considerasse melhores e ponto, nada de participar de "panelas" sujas, é claro que se eu fizesse isso nunca mais seria chamado pra uma comissão, mas pelo menos teria a minha consciência limpa..O fato é que as "panelas" existem e então fica a pergunta: como fazer cinema no Brasil sem ser apadrinhado?Só pra quem é rico.Uma coisa é clara: jamais um membro de comissão vai declarar para seus alunos ou para a imprensa que favoreceu um amigo ou corrente de quem vai obter favores, o discurso público será o que eu já escrevi: "quem ganhou foram os melhores!Quem diz que existe panela é porque está frustrado porque perdeu!"
sábado, 28 de agosto de 2010
SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES( 8 )
PROVÉRBIOS CHINESES
A verdade é o mais eficiente instrumento de transformação social, por isso os homens a temem.
Nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho.
Entre cem projetos de um rico encontram-se noventa e nove para o tornar mais rico.
Quando passares pela terra dos tortos, fecha um olho.
O fácil é o certo.
A verdade é o mais eficiente instrumento de transformação social, por isso os homens a temem.
Nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho.
Entre cem projetos de um rico encontram-se noventa e nove para o tornar mais rico.
Quando passares pela terra dos tortos, fecha um olho.
O fácil é o certo.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
SUSPENSE/SURPRESA NO CINEMA E NA LITERATURA
"Estamos conversando, talvez haja uma bomba debaixo desta mesa e a conversa é banal ... De repente, BUM, uma explosão. O público fica surpreso, mas antes lhe foi mostrada uma cena absolutamente sem interesse. Agora, examinemos o suspense. A bomba está debaixo da mesa e o público sabe... O público sabe que a bomba irá explodir a uma hora. Há um relógio no cenário que mostra que são quinze para uma. A mesma conversa desinteressante torna-se de repente interessantíssima por que o público participa da cena. No primeiro caso oferecemos quinze segundos de surpresa no momento da explosão. No segundo nós lhe proporcionamos quinze minutos de suspense. A conclusão disto é que é preciso informar o público (torná-lo cúmplice) sempre que possível, a menos que a surpresa seja um twist, isto é, quando o inesperado da conclusão constitui a graça da anedota." – Alfred Hitchcock em "Hitchcock/ Truffaut – Entrevistas"
Ainda sobre o suspense, é proveitoso citarmos Bourneuf & Ouellet:
SUSPENSE - A INSERÇÃO DE UMA PASSAGEM DESCRITIVA NUM MOMENTO CRÍTICO TEM POR OBJETIVO AGUÇAR NOSSA CURIOSIDADE FACTUAL, É UM PROCEDIMENTO PARA RETARDAR O CLÍMAX, ACRESCENTANDO DETALHES QUE O DEIXARÃO COM UM INTERESSE AINDA MAIOR.
E ainda, Boileau e Narcejac em “O Romance Policial”:
“Ameaça. Expectativa. Perseguição... Tais são as três componentes do suspense. No suspense, o que é que é “suspenso”? O tempo. É a ameaça que transforma o tempo em duração dolorosamente vivida. A expectativa é essa duração retardada ao extremo e, por isso mesmo, torturante; a perseguição é essa duração acelerada, que leva à espécie de espasmo em que a vida se rompe e se desfaz. Essa relação entre o tempo e a emoção tem algo de muito novo, que, certamente, não era estranho ao romance-problema descoberto por Poe, mas Poe lhe concedia apenas um valor estético.” – Boileau-Narcejac, “O Romance Policial”.
Ainda sobre o suspense, é proveitoso citarmos Bourneuf & Ouellet:
SUSPENSE - A INSERÇÃO DE UMA PASSAGEM DESCRITIVA NUM MOMENTO CRÍTICO TEM POR OBJETIVO AGUÇAR NOSSA CURIOSIDADE FACTUAL, É UM PROCEDIMENTO PARA RETARDAR O CLÍMAX, ACRESCENTANDO DETALHES QUE O DEIXARÃO COM UM INTERESSE AINDA MAIOR.
E ainda, Boileau e Narcejac em “O Romance Policial”:
“Ameaça. Expectativa. Perseguição... Tais são as três componentes do suspense. No suspense, o que é que é “suspenso”? O tempo. É a ameaça que transforma o tempo em duração dolorosamente vivida. A expectativa é essa duração retardada ao extremo e, por isso mesmo, torturante; a perseguição é essa duração acelerada, que leva à espécie de espasmo em que a vida se rompe e se desfaz. Essa relação entre o tempo e a emoção tem algo de muito novo, que, certamente, não era estranho ao romance-problema descoberto por Poe, mas Poe lhe concedia apenas um valor estético.” – Boileau-Narcejac, “O Romance Policial”.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
SÉRIE PENSAMENTOS IMPORTANTES( 6 )
A EXCEÇÃO E A REGRA
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.
Bertolt Brecht
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.
Bertolt Brecht
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